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postado por Elke

MUSICA FAZ UMA LOUCURA POR MIM ALCIONE

| Música

    Ouvir, Baixar gratuitamente a música Faz Uma Loucura Por Mim - Aila Menezes - Canta Alcione. Confira também outros sucessos de Aila Menezes no. Ouvir, Baixar Música Malía e Alcione - Faz Uma Loucura Por Mim no celular, Malía e Alcione - Faz Uma Loucura Por Mim Download Sua Música Grátis no. Faz uma loucura por mim / Sai gritando por ai bebendo e chora / Toma um porre picha um muro que me adora / Faz uma loucura por mim / Fica até de.

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    Chico térmico: com vocês, a ópera do malandro! E Derrick Green nos vocais? Começa nessa semana o maior festival do país. Filho e pai. E como todos nós sabemos, o totalitarismo é uma das características mais indeléveis de uma estrutura fascista. Somos uma banda brasileira e gostamos de explorar toda a riqueza musical que temos no país. Eu só quero cantar, livre. Aprendam isso de uma vez por todas! Parei com gordura, refrigerante. Minha primeira vez foi com homegrow, assim como minhas consecutivas 5 vezes Esse merda chupou a minha alma! Nos identificamos com eles. Por falar em streaming, Pelé Milflows também é destaque no Spotify. O que acham? As tramas da nossa novíssima banda com o Evandro e o Barreto evoluíam. Ainda temos terrenos a percorrer. Redson fundou o Cólera e viria a se tornar um dos caras mais respeitados do movimento.

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    Ontem, à mesa, seus olhares novamente se encontraram; depois a avistou na amurada da popa, mas quando se aproximou, todo decidido, surgiu aquela velha vomitando e a moça se retirou apressada. Nunca aceitariam. Mas essa mulher de olhos azuis mexeu com ele. Como é bonita! Senta-se à mesa como uma princesa!

    E com que suavidade se move! Pela primeira vez desde a morte de Halima, sente-se perturbado por uma mulher. Uma mulher que ele nem conhece, com quem nunca falou? De quem nem sabe o nome? Poderia ser outra mulher e de certo aconteceria o mesmo. Depois da faculdade em Marselha Zacarias nunca mais saiu do Marrocos. Quem iria imaginar que as arruaças chegariam a tal ponto?

    Quando soube que no Brasil farmacêuticos eram respeitados como se E também por causa da ópera. Tenho que tentar. Deve seguir até o Rio de Janeiro ou quem sabe até Buenos Aires Zacarias pondera.

    O que fazer? Mas o que ele tem a perder? Se for rejeitado pelo menos vai saber que tentou. E se der certo, que Deus me ouça, estudo um jeito de explicar às crianças.

    Vai ser difícil com a Raquel, temo que nunca aceite. Devo estar delirando. Notei que ela se dirigiu em francês a um dos garçons. Vou perguntar educadamente, parlez vous français, mademoiselle? Sim, vou dizer mademoiselle. Est-ce-que vous êtes de Maroc? Je suis de Casablanca. Mas é um modo de iniciar a conversa Observou-a na amurada do convés ao subir a rampa com as crianças, os cabelos esvoaçando, e seus olhares se encontraram por alguns segundos. Zacarias se recolhe à cabine ainda ensaiando frases.

    As crianças dormem. Ele deita-se, porém custa a fechar os olhos. Finalmente adormece. É despertado por Raquel. Elas saem e ele se veste para o café. É sempre assim quando se aproximam de um porto. Ele hesita. Senta-se com as crianças próximo a ela, do lado oposto. Examina-a furtivamente.

    Ela sorri vagamente. Ele inclina a cabeça como que cumprimentando. Sont-ils votre fils? Ela pergunta. Oui, madame, ele diz. Ela corrige, mademoiselle. Pardon, ele diz. Ensaiou tanto e no momento decisivo errou.

    Alcione - A Loba/ Estranha Loucura/ Garoto Maroto

    É o nervosismo, pensou. Excusez moi. E se retira apressada.

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    Raquel tudo observa, atenta. À boca pequena correu que houve imperícia do copiloto. Teria se deixado surpreender e manobrado mal. E a fala da Raquel o animara sobremaneira. Ficou aflito. No jantar, ao entrar no refeitório percebeu que ela acabara de sair.

    O mar, antes encapelado, estava calmo. O vento também amainara. Oui, ela respondeu: Très belle. E assim ficaram, trocando poucas palavras, depois muitas. Judith era o seu nome. Ao falar no noivo sua voz se tornara quase inaudível. Ele desfezse do seu paletó e cobriu seus ombros. Inesperadamente ela se desvencilhou, devolveu o casaco e se retirou apressada.

    Antes fitou-o com olhar intenso. Sentia ainda no seu corpo a quentura do corpo da Judith. E tentava interpretar aquele olhar, que lhe pareceu de despedida. O vapor atracaria em poucas horas. Embora, de toda a terceira classe apenas ele desembarcaria, os demais passageiros aproveitariam para passar o dia em terra firme, passear e baixar lembranças.

    O vapor atraca pouco depois do meio-dia. A cada três passos, desolado, Zacarias volta os olhos para a amurada do convés da terceira classe. Retarda a descida o mais que pode e outros passageiros o ultrapassam com passadas impacientes.

    É quando Zacarias sente alguém segurando seu braço com firmeza incomum. Ele se volta. É Judith. Vous ne continuez pas dans Buenos Aires?

    Ele pergunta, sur E ela acrescenta: avec toi. E votre baggage? Je ne necessite pas. Descobri, no meio da vida, que tinha um homônimo. Passei a dar declarações vergonhosas para ver se o homônimo, envergonhado, trocava de nome. Adotei um comportamento dos mais estranhos com a mesma finalidade.

    Passei a escrever livros horríveis, para denegrir sua imagem. Mas nada demovia o homônimo, que continuava a escrever seus livros horríveis, com o meu nome.

    Me tornei um escritor ridículo. Passei a me vestir de palhaço. Em cada aeroporto onde fiz escala, aproveitei para baixar uma lembrancinha para ele. Os aeroportos se tornaram shopping centers. É normal. É preciso dar uma utilidade às horas de espera Eu mesmo seria capaz de usar aquelas roupas.

    Como é que tinha coragem?

    Como é que uma pessoa pode escrever uma coisa dessas? Afinal, a aeromoça veio me pedir para rir mais baixo. Eu estava atrapalhando a leitura dos outros passageiros. Ninguém ria a bordo. Estava Balançava a cabeça, incrédulo. Era um dia lindo. Céu azul, poucas nuvens brancas, bem brancas, que pareciam estar ali só para compor a aparência do céu. Deixar mais azul o azul. Um dia lindo a menos.

    Na vida. Cinco da tarde, inverno, o sol tinha rodado mais perto do horizonte e a luz agora era a felicidade de qualquer fotógrafo, ou de qualquer um que tivesse olhos abertos e pudesse ainda ver o mundo.

    Nada mais cresce. Crescem, sim, coisas em você. Vermes, gases que inflam a cavidade abdominal. Mencionar mutilações. Até nas situações hoje em dia mais típicas, de morte hospitalar, o processo, como que o ato de morrer parece deixar marcas no corpo que resta.

    Marcas do caminho da vida à morte. A falta de ar. Precisamos nos proteger mais definitivamente deles. Mesmo que dentro dos olhos nos sumam os olhos da cara.

    Morto duas vezes. Antes ainda de ser comido pela terra, aquilo nem é mais um olho. Brisa leve. Descanso em meio à grama verdejante E longamente lanço ao alto o olhar, Cercado pelo som sem fim dos grilos, Envolto inteiro pelo azul do céu. As lindas nuvens brancas vogam vagas No azul profundo, como sonhos mudos; Parece que faz tempo que estou morto, Feliz navego pelo espaço eterno.

    Mas parece adequado. Pareceu a alguém. A ausência de sofrimento naquele rosto é somente um primeiro passo. É isso. Como se a pessoa estivesse bem. Feliz, quase. Criar a paz.

    A isso se segue um trabalho de maquiagem delicado e importantíssimo para homens e mulheres. Vida, sim, após a morte.

    Agora morto também aos olhos do mundo. Morto após a morte. Acordasse ainda antes de se ver sozinho, numa caixa escura e sem ar. Para sempre. Essa agulha acaba costurando, pregando, dessa maneira, a mandíbula inferior à superior por vezes o técnico pode escolher também passar o cabo pelo septo nasal. Naquele dia lindo, 5 de julho. A bem da verdade, além do mero fato de serem absolutamente exageradas as histórias populares em torno da catalepsia e das pessoas cujos caixões, ao serem reabertos e por que teriam sido reabertos?

    É bem verdade que a morte é um estado em certo sentido liminar. Acima de tudo sabe-se que o corpo humano é estranho, e que improbabilidades continuam longe de significar impossibilidades.

    Em que se compara, afinal, ter agulhas enfiadas sob as unhas ao fato de se ter o Ermelino parecia progressivamente mais morto a cada ano vivo. Ela, para isso, continua respondendo: nada. Enquanto deixa de ser e laboriosamente se encaminha para ser aquele nada. Quando Ermelino abriu os olhos naquele momento estava tudo escuro ela acendeu a luz ao sair do banheiro.

    Foi tomado de uma imensa leveza. Para Ermelino, a morte em vida, a morte da vida durou aqueles minutos finais.

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    Entre acordar e dormir. Entre sair do escuro e apagar. Quando a pessoa, em seus momentos finais, logo antes e invisivelmente, para nós também logo depois de cessarem seus batimentos cardíacos, aparenta felicidade, é apenas, pura e simplesmente, porque seu corpo percebe que chegou ao fim. Estava apenas vivo, e estava apenas morrendo. Sem horror. Tomara que uma voz? Porque Ermelino morreu em , naquele dia de sol exuberante. Ermelino morreu num tempo em que em vez de um Ermelino morreu, e morreu em paz, esquecido dos medos de toda uma vida no meio de uma enxurrada de íons e moléculas complexas, muito antes da tanatopraxia moderna e de suas garantias de morte.

    Ela nunca ia poder esquecer. Por que é que decidiu entrar ali? Foi no fundo o mesmo instinto que leva os outros a irem ao velório. Ver o pai no caso dela uma vez mais. Desesperada no sentido mais pleno do termo.

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    Nariz proeminente, pele que de indiada, como se dizia naquele tempo, agora parecia verde, cinza Seu pai morto de verdade.

    A gaveta podia ser liberada. A tia Mindinha, enterrada ali em Porque quando Ermelino abriu os olhos estava tudo escuro. Trouxe -a com o gosto antigo de quem sabe amar coisa nascida de outra. Junto ao peito, entre os braços fofos, trazia alguma coisa envolta numa toalha. Ela disse olha aqui o que me deixaram em casa. Desembrulhou lentamente a trouxinha, e de dentro dela emergiu. Um gatinho. Os imensos olhos amarelos lhe tomavam toda a cara, contrastando com a cor negra do pelo; a boca era só um furo na cabeça triangular.

    As orelhas moviam-se, curiosas.

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    A outra, com sabedoria aliciante, abaixou os braços. Os dois serezinhos se olharam. Tive exata ciência de que a graça do gato pegou minha filha em flagrante, e vice-versa, crianças e bichos têm disso.

    Eu, mesmo sem querer, mesmo sem concordar, mesmo que intimamente me faltasse a habilidade de ser boa naquela hora, aquiescia no meu silêncio. O filhote foi posto sobre o tapete da sala de estar. Era uma coisa trêmula de passos incertos e periclitantes.

    Dona Alcione suspirou, jogando a toalha por cima do ombro: — Coitadinho. As palavras, pronunciadas daquela forma de tamanho pesar, me desmancharam. Nunca me havia ocorrido a ideia de um gato ou um cachorro, criaturas que se parecem demais com os humanos. Minha filha acocorou-se, sentando sobre os calcanha O gato estremeceu, alongou as quatro patinhas, roçando o dorso de um negror ruço contra as pernas de Anabel.

    Pronto, o desastre estava feito. Alertei, antes que me tomasse por alguém que se dobra facilmente, que nem todas as tentativas davam certo. Antes de tomar o elevador, palpitou que era um macho. Olhei para o bichano, que ainda caminhava, incerto, sobre as flores do tapete. Anabel foi E como eu deveria saber?

    Ele ergueu a cabeça. Ah, a dor do miado de um filhotinho.

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    Com todo o cuidado, com extrema delicadeza, fiz o que minha filha esperava que eu fizesse: peguei o filhote entre os braços. Custou a equilibrarse sobre o piso frio, mas quando lhe alcancei o pires com leite, atirou-se feito um fidalgo à comida. Nós duas assistíamos àquele repasto sofrido.

    O leite era amor entre estranhos. Um pouco antes de sentar-se à mesa do almoço, minha filha perguntou se podia chamar o bichano de Zulu. Por quê? E eu, ainda por cima de tudo, teria de justificar mais essa despesa. À tardinha, quando meu marido chegou em casa, os alicerces do edifício tremeram: mas como eu tinha cometido uma irresponsabilidade daquelas?

    E passou a enumerar pestes, doenças, fungos, vírus, bactérias, sujeiras e imundícies aterradoras. Nada podia ser feito, o destino dos dois estava selado. Considerei-o à nocaute quando se interessou pelo gatinho, afinal bicho movendo-se por si próprio desperta a suavíssima curiosidade. Quando voltei da cozinha para colocar a janta na mesa, deparei com a cena: Anabel no colo de meu marido, e, no colo de Anabel, Zulu. Pareciam felizes. Apaguei as luzes, fechei a porta, fui até o quarto de minha filha e dei-lhe um beijo de boanoite.

    Anabel tentou a barganha, queria que o gatinho dormisse com ela. Zulu amanheceu enrodilhado aos pés da cama de minha pequena. Crescera, tornara-se corpulento e musculoso, um ser ronronante, cheio de substância e de viçosa altivez.

    Antes de nos esclarecer qualquer coisa, falou que estava mais habituada a tratar cachorros, gatos eram raros em seu consultório, equívocos acontecem a torto e a direito.

    Eu tampouco. Pedi para ela me dizer que doença tinha Zulu. O que ele tem? Ela abaixou a cabeça, a voz saiu-lhe débil: A vida se duplica e se encadeia, isso queríamos ensinar para Anabel quando decidimos o que fazer. Cheguei a pensar que, quando os filhotes completassem dois meses, iria de visita a Dona Alcione, ela sempre soube o que fazer nesses casos.

    Tenho aprendido muito com Anabel. Como, por exemplo, o instinto dócil e novo de amar coisa nascida de outra. Um dia ruim desde o começo, ela diria depois ao refazê-lo passo a passo ao policial gentil. Devolver com a parte corrigida para aquele jegue ver o que perdeu? Sentir a diferença entre um texto estropiado e um texto bem escrito, nítido, conciso, luminoso?

    Um tapa de luvas. Mas isso foi só o começo, como o senhor sabe, e o policial sorriu. Mal saiu do banho, outro telefonema, este promissor.

    Um Eu pago tudo. Só preciso de uma boa leitura, e o quanto antes. Passar uma tarde no campo. A mulher se aproximou. Ela tem cara de sortista, Beatriz pensou. Cuidado com o cachorro. Ou Rex? Do que se arrependeu no mesmo instante, como explicou ao policial; agora ela estava sem rota de fuga. O homem arrastava o monstro até a porta, seguido por uma Beatriz vacilante que tentava adivinhar o passo seguinte, do homem e de Rex, ou Réss.

    Só agora estou voltando ao normal. Abriu os olhos e releu: era isso mesmo. Nuremberg: verdades e mentiras. O que aconteceu.

    Imagino o que você sofreu dentro daquela casa. Você conhece ele? Alguém acabou fazendo finalmente o café, e uma xícara apareceu diante dela; Beatriz agradeceu.

    Cochichavam alguma coisa entre eles, ela ainda ouviu palavras avul Calibre sete meia cinco, cano E tem documento do homem na gaveta. Se precisar de alguma coisa, é só dizer, ele insistiu, saindo do carro e abrindo a porta para ela. Policiais também podem ser boas pessoas, é claro. Mas ele punha o CD, um dos dele, tirado da sacola grande que o acompanhava, comprei, olha aqui, conhece? Fazia muito, cinco anos, cinco séculos. E ele saía por entre os móveis apertados do apartamento pequeno, os móveis que eram da moça com quem Izildinha dividia o aluguel.

    Um dia melhora. Ouou, life is bigger. E era de fato. E os movimentos da dança ficavam, parecia, ainda mais soltos dentro da camiseta sem manga, os braços bem torneados, a axila raspada. Laranja a camiseta. O tempo todo daquela primeira fase, ele no apartamento dela e da colega, como hóspede, ele só usava preto ou laranja, às vezes com um desenho, umas letras fosforescentes, brilhantes, um toque de verde ou amarelo, com um desenho em alto relevo, o nome de alguma Losing my religion.

    E isso a cada vez que o braço se levantava mostrando, o braço, independente dela, como as pernas também pareciam independentes, braços e pernas e o resto mostrando como ela toda estava com vontade de largar tudo a cada levantada, mexida, virada, ida, sacudida, tinha de ser forte, a sacudida, e era.

    Nunca a olhou enquanto dizia I thought that I heard you laughing. Era para ele mesmo, a coisa. Ou para os outros rapazes iguais que às vezes ele apresentava. Mas ela olha sério para ele. E chega perto e começa um beijo que ele acaba por corresponder, o ombro dele no meio, atrapalhando. Ainda estou sofrendo com o fora que levei. Senta na outra ponta da gangorra e, com os pés suspensos, faz força para baixo, me obrigando a gangorrear com ela.

    Deve ter uns seis, sete anos. Pega-pega é legal. Tem dois braços, duas pernas, uma cabeça. Qual o problema? Como adivinhando a minha pergunta, ou apenas querendo manter a dinâmica verbal e mecânica agora estabelecida entre nós, ela continua: eu uso marca-passo.

    Ela continua: tenho uma doença congênita. Imagino a menina parando de funcionar na minha frente, como um daqueles soldadinhos que gastam a pilha e estancam no meio do movimento, um braço a meio caminho, o sorriso congelado no rosto.

    Você nunca reparou? Depois impulsiono a gangorra de novo e digo para ela: Meu avô também usa marca-passo. Logo depois uma outra menina aparece e chama a sardenta para ir com ela ao balanço.

    Ali é o centro de Lagos, ele disse. Dispensei o carro e comecei minha caminhada rumo a Lagos, a vila histórica dos Entalhadores, local da chamada Revolta das Facas. Sou curioso a respeito de cidadezinhas perdidas, que os turistas costumam ignorar. Se sair agora do Até porque, uns cinco minutos depois de minha partida, o rio se lançou para um lado e a estrada, inesperadamente, como se dele se esquivasse, deslizou para o outro.

    Talvez no meio do trajeto ela retomasse seu curso, eu pensei, e enfim eu chegaria à represa. E tratei de olhar para a frente e seguir. O violoncelista, que chamam apenas de Zuto, vive na Cidade de Quevedo, mas nasceu em Lagos.

    Por que iria se enganar, ou me enganar? E olha que eu Ia pensando coisas assim quando avistei, bem na borda da estrada, um vendedor de galinhas. Eram garnisés, brigonas e tagarelas; mas, quando me aproximei mais um pouco, talvez temendo a sombra desconhecida de meu corpo, elas silenciaram.

    Parece que gostaram de você, o vendedor de galinhas comentou, sem muito entusiasmo. Pouco entusiasmado eu também com o elogio, perguntei quanto tempo faltava para chegar a Lagos. Uma bobagem, ele respondeu. Pois é logo depois. O senhor vende muitas galinhas? Aqui ninguém se interessa por galinhas, ele respondeu. Agachou-se, escolheu uma ave mais gorda, que lembrava uma coruja, e a pegou no colo. E beijou a galinha no bico.

    Pois continuei a andar e nada. Em vez de subir, como ele dissera, a estrada continuava a descer. Voltei a procurar por alguma placa que indicasse o caminho para Lagos. Talvez fosse melhor voltar para o hotel, pensei. Mas, contrariando esses pensamentos, meus pés continuavam a marchar. E eu os segui. Ainda essa, pensei. Eram só raios perdidos, a estourar a muitos quilômetros de distância. Até que uma bala passou bem a meu lado. Foi por pouco. Ouvi galopes de cavalos, mas fui tragado por uma nuvem de poeira e nada mais pude ver.

    Outras balas cruzaram o espaço que me separava da vila. Ouvia os galopes, ouvia os gritos, sentia a proximidade do desastre, nada mais. Vou morrer pisoteado pelos cavalos, pensei. Mas logo os gritos vigorosos silenciaram. Andei mais um bom tempo até encontrar o Casal Silva.

    O Casal Silva tem muitos filhos, todos sujos, magros e com barrigas desproporcionais. Amparando-me, o Sr. Silva me levou para seu casebre e me estirou numa cama. Dizem que dormi mais de doze horas. Os Silva me ouviram em silêncio.

    Sim, pobre de mim, eu pensei, voltando a fechar os olhos. Por que preferiam o silêncio? E agora que estou de volta, estirado em uma espreguiçadeira, à beira da piscina do hotel, posso pensar que tive muita sorte. Nunca vi ônibus com termômetro no banheiro, eu precisava era tirar aquilo da parede e colocar debaixo do braço, apesar de saber muito bem em que lugar do corpo a temperatura beirava o caos.

    Essas contrações na velocidade do motorista. Que dor é essa? No quarto dia, nem a vagina te incrimina. Ia se chamar Jonas. Parece ironia depois que descobri de onde veio, os hebreus sabiam o que diziam. Ninguém bateu na porta, ainda bem. Ou comi? Tem um vazio aqui. Lembro vagamente que antes de entrar neste buraco chamado banheiro uma senhora nativa entrou com uma cesta de chipa.

    Eu e os meus nem dois reais fomos completados pelo senhor do lado, ainda aceitavam real naquele tempo da estrada. Um saquinho e mais nada. O oco aqui no fundo, o banheiro desabitado, e eu preenchendo esse cubículo inteiro. O quase. Nosso corpo avisa. Ou qualquer coisa com um pedaço de víscera. A gente se coagula às vezes na vida e se esquece de olhar para frente. Deve ser viscoso que nem saliva.

    Se decido obedecer aos impulsos do corpo, sento. Nunca quis isso. E se eu sair justamente na hora do sangue escorrendo? Essa dor. E o esporte nem era parte de sua lista de prioridades, mas como sentia falta. Um ano nessa vida desajeitada, vontades arrastadas para dentro do futuro que deixaria de acontecer. Havia abandonado a si mesma, nenhum vestígio de quem era ou quem planejava ter sido. Como se soubesse. Como se se soubesse.

    E ela, emendada nessa vida sem se desatar, cedeu. Mais um nó. Sem saber como voltar, em silêncio. Esmagada pelos sonhos dos outros e calcificada, sem chance de palpite. Seguia para o lado oposto. Como deve ser o parto? É o que ele quer para mim, eu também quero — talvez. E o medo de médico? Agora essa dor, essa dor. Essa porra de dor. Aquelas clínicas todas registram seus dados para te chantagear depois se o médico for pego.

    E aqui, e se me pararem e verem isso? Tenho que aprender com aqueles moleques. Aqui, mais para dentro, deve ter lei. Preciso sair, eu sei.

    Onde fica acumulada toda essa sujeira? E todo esse sangue? O papel acabou. Esse sangue, essa dor, esse ônibus e daqui a pouco eles aparecem com a polícia. Vou É você, quebrado e fluido, pedaço por pedaço. Tua vantagem é que você nunca foi um sonho.

    A gente se adapta. Ele sai. O ônibus para. Malditos paraguaios. Ele escorre. Vai, sim, vai pingar. Fazia tempo Mais uma batida, agora impaciente. Engulo — sem mastigar. É, sim, morno, desconfiava. Isso é só mais um resto. Por dentro, um berro. Abro a porta. Respiro, passo os dois, me dirijo à poltrona, sento e agradeço pela bolsa intacta, aquele cheiro de banheiro impregnado em mim. Ano de Você tomando o cafezinho às pressas. Eu tomando aquele cappuccino bem devagar. Eu terminei o cappuccino.

    Você terminou o cafezinho. E vai correndo pro banco. E eu vou devagar pro mesmo banco. Mas ainda nem sabe. Mas ainda nem sei. Você me olhou demorado. Eu olhei bem rapidinho. Eu reconheço você na mesma tarde. Você me reconhece. Pode ser. Acredito que sim. Sim, de fato. Você tinha filhos adolescentes. Meus filhos eram adolescentes. E você acha um absurdo aquela taxa de 2,5 ao ano. Eu também acho um incrível absurdo 2,5!

    Confessa que tem que chegar antes das 8 em casa. Eu tinha que chegar antes das 8 em casa. A minha mulher vasculha os meus bolsos, acredita? Acredita que o meu marido vasculha a minha bolsa? Só porque você gosta dos filmes do Hitchcock.

    E ela detesta. E eu gosto dos filmes do Almodóvar. E ele detesta. É o meu favorito! Eu adoro! Ela odeia. Ele detesta, consegue imaginar?! Posso ligar mais tarde? Toda quarta. Toda terça e quinta. No ano de Ah o ano de !

    Gosto do verde. Prefiro o cinza. Gosto do branco. Gosto do tinto. Gosto da amarela. Eu tenho que contar um segredo. Eu quero contar um segredo pra você. Sonho com algo secreto. Eu vou contar pra você uma fantasia.

    Vai rir de mim se eu contar? De novo? Eu faria de novo. Eu vou ser transferido pro norte de Antares. Eu vou ser transferida pro sul de Andrômeda. Liga de vez em quando? Ligo sempre. Vai me visitar? Que loucura. É, que delícia. Corriam sondar a arapuca armada na tarde de ontem, aquele pequeno prisioneiro na neblina. Devia ter dez anos, Eu estava curioso e ele, logo vi, ansioso para falar comigo, revelar algum prodígio. Oi, eu o cumprimentei, e ele me respondeu, circunspecto, oi.

    Perguntei o que tinha acontecido com o passarinho e, sem rodeios, ele falou: — Morreu. Fiquei quieto, e me mantive assim por um bom tempo, na esperança de que ele me explicasse como e por que o bicho havia morrido.

    Faz uma loucura por mim

    Queria que me apontasse um culpado, me contasse a história de um crime, pois aquele também parecia ser o seu desejo. Continuei na minha, embora tivesse mais perguntas engatilhadas. Ele me ouviu sem olhar para mim. Puxou do bolso uma fita vermelha, bem fina e cacheada, dessas de enfeitar presente. Com a fita, enlaçou uma das pernas do animal. Depois assoprou a penugem presa entre seus dedos e anunciou, muito sério e seguro: Quis saber como ele faria aquilo.

    É segredo, rebateu o menino. Mas com sinceridade. De repente, me abraçou forte, chorando, e perguntou, baixinho, entre soluços, Onde, meu filho, onde tu viste ele? Onde encontraste teu pai? Essa palavra só ela usava, invencioneiro. Quase sempre Nem percebia o cômodo aos poucos ficando menor, na medida em que esvaziava da luz do sol.

    Mas do que morreu seu pai? Estavam todos acampados na savana, mas uns, sem juízo, resolveram entrar na floresta e sumiram. Nosso convívio se limitava ao campinho de futebol, um terreno largo entre dois sobrados, quatro quadras acima do meu prédio, onde eu era fundamental, pois, jogando como meia-armador, me igualavam ao Gerson, o Canhotinha de Ouro: sério, de cabeça erguida lançava a bola nos pés de quem desejasse, sem um passe errado, e todo mundo comentava, Esse é craque!

    Toda noite, ao chegar da PUC, ela entrava pé ante pé no quarto, ajeitava a coberta sobre meu corpo magricelo e me beijava, sussurrando, Te amo, meu curumim, antes de encostar a porta. Mas a beleza dela me incomodava, porque na rua os meninos sempre mencionavam isso, o que me deixava furioso, obrigando a sair no tapa com eles, bando de idiotas, e voltava para casa todo estropiado.

    No entanto, mesmo muito bonita, arrastava uma tristeza larga e A cara ossuda da Dona Dulce apareceu na fresta da porta entreaberta. Dona Imaculada interrompeu a aula, saiu e elas ficaram cochichando no corredor. Driblando as carteiras duplas, os pés de ferro, avancei apreensivo, e ao mesmo tempo assoberbado, de alguma maneira aquele imprevisto me destacava momentaneamente do restante da turma.

    Altivo, alinhei meus passos ao andar desencantado da Dona Dulce, alta e magra, cabelos presos num lenço estampado, até a sala da diretoria.

    Dona Dulce empurrou a porta, e um homem de uniforme levantou da cadeira, de imediato. Minha cabeça ro Quer dizer que eu estava certo todo o tempo!? Satisfeito, enchi o peito com o ar gelado de junho e contemplei confiante o homem de uniforme. No fim da escada, estacionado no meio-fio, um jipe verde, sem capota, aguardava. Quando nos aproximamos, o soldado perfilou batendo continência, e o tenente perguntou se eu queria ir na frente, ao lado do motorista. Respondi sim, dei a volta, entrei no carro e por quase uma hora circulamos por lugares desconhecidos, o vento bagunçando meus cabelos de índio guarani.

    Paramos em frente a uma enorme casa pintada de azul claro. Deitado na cama, sob um cobertor sebento, o corpo, longa barba voltada para a parede. O tenente disse, Osmar, aqui, seu filho. Cumprimente seu pai, menino, o tenente mandou. Ele, no entanto, permaneceu imóvel, ofegante, parecendo apavorado. Me enchi de coragem e perguntei, incrédulo, O senhor é meu pai mesmo? De um segundo para o outro, um som, aparentemente do ambiente externo, invade o interior do teatro. Fernando M apresenta o seu repertório autoral para sete pessoas, em um espaço com trezentas poltronas.

    Alguns minutos antes do início do show, o diretor do teatro, Ronaldo F, disse para Fernando M que foram vendidos cinco ingressos, além de duas cortesias. Mas Ronaldo F comentou que Jonas X, um jornalista, recebeu um ingresso e estava curioso para conhecer as canções de Fernando M. Foi por causa da presença de Jonas X e de um outro motivo, transcendental, que o show aconteceu. Ele bebeu um gole, talvez fosse café, e ficou alguns segundos em silêncio. Nesse breve intervalo, foi possível escutar Bom, faço esta narrativa e ainda nem me apresentei.

    Meu nome é, ou melhor, podem me chamar de Helena C, muito prazer. Fui amante do Jonas X e viajei com ele para aquela cidade do interior, onde fomos convidados para o show do Fernando M.

    Conheci dezenas de cidades. Mas, apesar de ter me apresentado como ex, prefiro pensar que ainda sou amante dele. O repertório do Fernando M é formado principalmente por canções de protesto. O artista apresentou outras canções, uma delas me lembrou um sucesso do Zeca Baleiro, outra até pensei que fosse do Zé Ramalho, mas Fernando M comentou que eram composições de sua autoria.

    Depois do fim do show, fomos até um bar. Fernando M contava para Jonas X sobre a sua carreira, dizia ser amigo de compositores conhecidos em todo o país e comentou, mais de uma vez, que por pouco, em diversas situações, quase as Atualmente diz, pelo menos para mim, que era manipulado por produtores, assessores e artistas em início de carreira.

    Enquanto estava nos segundos cadernos, morava com a família e se vestia como se fosse roadie de uma banda de rock. Até que, para a surpresa de alguns colegas, Jonas X abandonou o jornalismo. Comprou apartamento, carro, conseguiu casar, descasou, casou outra vez e, pelo menos enquanto acontece este relato, ele é o meu amante.

    Em algum momento da madrugada, comecei a bocejar. Escutava a conversa bebendo cerveja. Nunca tentei nada. Sabe por quê? Por que eu nunca tive problema de ser gordinha. E das mulheres também! Elas vêm após o show, dizem que emagreci, que estou mais linda, mais isso, mais aquilo Mas eu de-tes-to calça jeans!

    Gosto de tecido, fino, caindo na pele. Tenho até minha própria marca. Depois fui dando, junto com montes de outros brinquedos. Sou a alegria das crianças, brinco que sou a Xuxa Negra. O meu foi trompete, que toco nos shows — parei porque extraí a raiz de um dente, mas vou voltar.

    Fui casada com um italiano, Luigi Napolitano. Tinha senso de humor, talvez por isso ficamos 13 anos juntos.

    MUSICA POR ALCIONE LOUCURA BAIXAR MIM FAZ UMA

    Agora estou solteira.