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VIVA A BAGACEIRA BAIXAR

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postado por Elke

VIVA A BAGACEIRA BAIXAR

| Música

    Contents
  1. Viva a Bagaceira
  2. Você não sabe
  3. Hungriahiphop Garota Diamante Son Play
  4. Son d' Play - Ouvir todas as 66 músicas

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Nome: viva a bagaceira
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E embatucou. E r a tanto do morcego! M a n t i n h a m , assim, a atitude natural do servilismo hereditrio. Pirunga desenganou-o: — Eu queria tanto! Um cheiro a a l h o e a fer- mentações crônicas. E, levando a m o ao peito Virou-se ainda de b o r c o. Alteava-se e m desfila- d e i r o s. Rezingavam n u n s violentos apelos à nosologia popular: — Molestado! Voc tirou b e m a limpo?

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Soledade sorriu.

Viva a Bagaceira

Valentim exprimiu todo esse horror canicular: O p a n a s c o pulverizara-se: girava c o m a poeirada chamejante. Caiu a folha e o passarinho abriu o bico e t a m b é m caiu. E Valentim explicou: — T a m b é m. Corria tudo besta. E nem eles. E diz que dinheiro de borracha encurta q u a n d o ela estira. A gente teimava em ficar e o sol t a m b é m teimava. Era u m a calma! Foi em Era urubu até dizer basta. As p e d r a s se esfarelavam.

T e m um pegadio à gente q u e faz gosto. Diziam que era pra me trazer um adjutório. A risada da seriema parecia um s o l u ç o. Q u a n d o tomei conta dele. Comi fogo em vida. O sol. E os sertanejos. Um m o n s t r o clandestino resfolegava. Ficou quase prejudicado. Era de arrepiar cabelo. Canseiras invencíveis. Até as colinas avulsas se afiguravam blocos de luz.

Q u a n d o se aperreia muito. Q u e m tomava conta de minha fi- lha? Q u e m carregava minha c r u z? Baldara-se-lhe todo o heroísmo sertanejo. Dessa altura se divisava a perspectiva percorrida. O papagaio vinha arrepiado. E Valentim saiu. Era o nordeste. C o m o é que se tem saudade d e s s a terra infernal? O cavalo soerguia-se nas p a t a s dianteiras. E disparou um tiro na c a b e ç a do animal. E r a o estribilho da fome. T a m b é m dei-lhe u m a preacada!.

D e u s foi servido me livrar desse m o n d é.. Valentim voltou sentenciando: — O q u e tem de acontecer tem muita força.

Você não sabe

E finou-se. Ramos caídos sobre r a m o s subjugados. Porque saber sofrer. Bipartia-se em galhos de- siguais: u m. Que pérolas sem par! A mulher era um anjo. E n o s s o poeta Gonçalves C r e s p o ganhara esse lirismo pixaim em Portugal: És negra. Soledade abeirou-se d e l e. A beleza "o longo e obediente s o f r i m e n t o " da Circe.

O pobre do anjo m a u! T o d o con- trafeito.. O a m o r era um consolo. Sentia o primeiro toque da p u b e r d a d e q u e ensaia adivinhar os mis- térios interiores. U m a inquietude d e virgem n a insciência d o a m o r feito de curiosidade e de m e d o.

A s b o r b o l e t a s beijavam-se nos estalidos d a revoada. Alteando o seio. Molhavam-nos com o orvalho restante. Baixara-se a d i a n t e. Jogara-as fora. Principalmente as j a q u e i r a s carregadas. A t é galhos secos sacudiam. Soledade estava toda impregnada dessa natureza odorante. Parecia e s t a r a c o l h e r as flores marginais. Expulsavam os intrusos de sua c a s t a intimidade. Me diga s ó! E rangiam. De fa- to. Perfume em blocos de r e s i n a. Pegali empinou as orelhas e desenroscou-se n u m pulo.

Na sala mal iluminada pela l a m p a r i n a da cozinha. A luz e r a u luxo da casa-grande. O sol informe. U m bruxuleio barato n o fundo d a biboca dos retirantes q u e.

E a h o r a p r e m a t u r a do silêncio e da treva antecipava as funções da noite. À l u z vacilante. Endireitou-se e pigarreou: Ficara-lhe agradecido. Manuel Broca chasqueou: — C o m e s s a lei aqui você se e s t r e p a. N u n c a mentiu fogo. O e s t ô m a g o exigia o sacrifício de t o d o o organismo. U m a pitada. Os olhos de Pirunga fuzilaram. Brigava c o m u m. A filha. Queria ouvir o desfecho da r e t a r d a d a nar- rativa.

Saí q u e saí feito. E o sertanejo prosseguiu: — M a s. Fiquei encafifado. Retomou: — C o m o de fato. Maria de Soledade tossiu na c a m a r i n h a. Valentim falou mais baixo: O le- que luminoso abria-se e fechava-se. Valentim saltou. Fiquei nos ares. D e p o i s de velho é que fica perrengue — arriscou Manuel Broca.

A luz baça. Aí puxei o bruto e — tibungo! Estava de beira a beira. Refazendo-se da surpresa. E ele c o m p a r a v a es- sas intermitências às transições de seu espírito.

Meteu-se o b r a ç o. Procurei uma saída. Q u a n d o Fifi me avistou. E o velho referiu: — C o m o ia dizendo. E o sangue espirrou. Esperei ele n a s borbulhas. Fui em cima. Saltei e o velho arrenegou. Um putissi! Ele voltou bufando. Desceu-se no fundo outra vez. N u m so- fragante trincou-me o dente a q u i. Encalquei m a i s. Valentim virou o r o s t o : — Arrochei-lhe a goela de c o m força. Agruparam-se uns sobre os calcanhares e outros de p é. E r a isso que eu queria.

A luz furta-cor. Segurei pelo c a c h a ç o e enfinquei- lhe o focinho na lama. Saí que saí zunindo. E Valentim findou: — Agora: no o u t r o dia. De feito. Resistência granítica. Valentim Pedreira a tocaiar o re- l â m p a g o.. M a s Manuel Broca segredou-lhe um plano que ele acolheu e n t r e malicioso e desconfiado. P a r e c i a um inferno orgíaco. Um cheiro a a l h o e a fer- mentações crônicas.

O fogo. O incêndio esfumava-se. De chofre. Vistos à distância. S o s t r a s multíparas. E ele saiu. Gritos vibratórios. A s próprias d o r e s físicas e r a m discretas.

As raparigotas encolhiam-se. Risadas selvagens d e se- r i e m a s. Invejava e s s a vivacidade inconscien- t e. As raparigas agrupavam-se n o s c a n t o s da sala C h o r a r de barriga cheia. E separavam-se. O c a b r a arreliou-se: — Velha caninguenta!. Os cambiteiros desforravam-se. Sertanejo cafifa! U n s procuravam os porretes. O feitor aplaudia: — I s t o. Outros protestavam: — E s s e freguês dizendo d a m a! A c a b o com esta futrica. E as mulheres voltavam-se c o n t r a Soledade: — A n d a c o m parte de santa.

Um pé-de-poeira. Eita pau! O feitor diligenciava e m b r i a g a r Pirunga.. Hoje aqui fede a chifre de b o d e. A cabroeira recuou. Donzelas equívocas da r e d o n d e z a acudiam ao estalo dos d e d o s. A n t e s que vibrasse o golpe. O delegado p a r o u. A c a c h a ç a ia pegando fogo à sensualidade mestiça. E a política ad- versa despicava-se em seus m o r a d o r e s.

Seu olhar fuzilava na treva c o m o um sabre d e s e m b a i - nhado. Do lado de fora. A q u e i m a d a estava circunscrita ao aceiro. E gritava por ela.

De veneta. Sapeca o p a u! Sujiga a praça! F u r a na veia da tripa! F u r a na tripa gaiteira! E chegou-o ao c o l m o velho. O espaldeiramento e r a um som de garrafas q u e b r a d a s.

A i n d a v o a v a m algumas fagulhas misturadas c o m os vaga-lumes. A paisagem vizinha toda t o s t a d a e vermelha. D a g o b e r t o sobressaltou-se. Distinguia no a r r u í d o lamentos e pragas.

A barafunda alarmante. Queria era pegar de jeito. Acudiu o feitor: — Foi pantim. Eu bem sabia que aquilo a c a b a v a pegando fogo. Passou o refe em t u d o. E foi ver Soledade que estava queimada. E c o m o estivesse tiritando. Dagoberto argüiu: — Que é isso! E c o m a camisa esfaqueada..

O fogo foi uma faísca da coivara. E explicavam: — Chegou e foi m e t e n d o o fandango. Pirunga soprava ainda..

Frio pra mim é c o m o passou. E fez um trejeito que n e m de leve lhe deformou a graça primorosa M a s. Pegavam a rir. D a v a m u m a s risadinhas perfeitas. Ele aparou-a num a b r a ç o e. Ela compôs-se com um ar engraçado. E ia re- tirar-se. E l a desconfiou: — Quem é?. E r a o tipo modelar de u m a r a ç a selecionada. Deixou-se v e n c e r. Soledade meteu o r e t r a t o no seio e ficou c o m um ar malicioso. Soledade a m a v a. Avistou Pirunga e n c o s t a d o num pau.

É sua noiva. Segurando-a pelos b r a ç o s. O estudante distinguia-lhe um traço de a m a r g u r a. Prosseguiu sem fazer c a s o dessa rispidez. Foi-se a ele. E r a a sorte d o s bois sertanejos na bagaceira. A moagem parada. Era para amansar. Entravam os muares gemendo. E deitava cal. Soledade passou-se à bagaceira. Rezingavam n u n s violentos apelos à nosologia popular: — Molestado! M a s o freguês tinha nó pelas cos- tas. E veio feito em riba de mim. Seguiam-se lérias.

Agüentou a primeira pilorada — lepó! E n t r o u n a casa-grande pela primeira v e z. E sentia q u e.. O estudante comparou a mentalidade do engenho. E confidenciavam: — Eu arrenego da b o n d a d e deste calcanhar-de-juda.

E s p e - rasse pela desobriga. Sem n e n h u m sentimento do pitoresco. C a d a qual que quisesse atravessar-se diante da correria desorde- nada. Alteava-se e m desfila- d e i r o s. O horizonte trancava-se de um lado quase rente c o m os telhados e r e c u a v a. Resplandecia c o m a cal do casario b r a n c o d o u r a d o pelo sol montanhês. Toda ensoalheirada. E r a o porqueiro. A feira desarticulava-se.

Valentim r e c o n h e c i a algumas filhas de pequenos fazendeiros c o m o criadas de servir. Barafustava-se na i n c e r t e z a do rebuliço. E iam logo d e s f a z e n d o no bucéfalo: — Cavalo melado mela o dono e o encerado.. U m fecha-fecha! P a r e c e quartau de fiança. E os ciganos. O sertanejo. Um bêbedo.. E encolhia-se na o n d a d o s feirantes.

T o m e sentido nela! Deu-lhe d a d a. Pirunga q u e vinha vindo da feira divisou-os c h e g a d i n h o s na galo- pada solta. E ela alterou-se: — L e s o! A gente vai direitinho. E alongavam-se de c a s a. E os dois viviam. E r a u m a cigarrinha maliciosa. Só oiço o falaço. Milonga p e g o u. Sadia e viçosa. A florescência incitativa requintava em milagres de a r o m a e de cor.

O sítio arreava-se de festões i n c o m u n s. P o s t o q u e incuriosa d a s coisas visíveis. E espiou para cima: — M a s , isso é sério! N a d a : e r a u m cupim indiferente. P i r u n g a tinha-os de olho. Efebo sadio, se tinha algum pituim, era o b o - d u m d o chiqueiro. Vinha-lhe o apelido de um episódio da infância. Ele nem se d a v a disso. Q u e gentil e m i m o s o animalzinho!

T u d o se impregnou do mau odor. E, depois de muitas esfregações, ficou s e n d o T i c a c a. E s s a vigilância e r a u m incitamento. Havia pa- nos sujos de almas. Bonita, n a d a! Soledade percebeu e s s a linguarice excitante. Coibiu o primeiro a s s o m o. E perguntava-se, c o m u m a ingênua cu- riosidade, p o r q u e essa a t o a r d a e r a inverídica. E r a um chilrear sem fim n o s moitedos frementes.

Emendou, com um entono engraçado: 70 enfiada: — Brejeiro! Ela sorveu-a. Ao separarem-se ela desculpou-se: — Foi só brincadeira. S o l e d a d e recebeu-o c o m u m a pontinha de mis- tério: Ela interpretou a seu m o d o : — Ah.

Em seguida. Intentou voltar.. Depois de desse- dentada. Tinha na b o c a um ricto caricato e os olhos glaucos riam disfarça- damente. E ela deu-lhe o pingo de sangue a chupar até e s t a n c a r.. E vivaz. Os passarinhos c a n t a d o r e s respondiam a e s s e riso de verda- de!. E desferia a rir. Voltou c o m uma graça careteira e o d e d o a sangrar. O xexéu pontual grazinou uma pilhéria..

E afastou-se.. A semelhança e v o c a t i v a amortecia-lhe os a p e t i t e s indiscretos que a n a t u r e z a velhaca lhe destilava no sangue tropical. Manuel Broca p a s s o u. Enjoava-se d e s s a s fantasias. O sol crescia e se e n c h i a de luz pra ver melhor. Só via em Soledade a solteirinha intata. U m ventozinho madrigalesco mexia-lhe a s m a d e i x a s c u r t a s. N e s s e ambiente afrodisíaco. Soledade q u e d o u. Ela foi sentar-se no cajueiro da alameda.

Soledade c h a m o u : — Quer entrar naquele sombrio? Encalmava-se o dia. Pirunga passou e deu-lhe uns favos de e n x u í. As macaíbas prediletas tinham cigarras c o m o e s p i n h o s. E pegou o desafio sonoroso. Rechinou um grito. Um bruto meio-dia. Era um leito macio e natural no folhiço a m o n t o a d o. Q u e m duvidar é só ir ver na serra.. Ela ia.

Q u e sabor dulcíssimo!. Fiava-se nos tó- xicos d e s s e olhar. E esperou-lhe a b o c a ansiosa com o favo de e n x u í. E ria. Parecia q u e o zênite radioso apitava em cada raio sol. Na g r a n d e luz passou-lhe uma nuvem pelos olhos.

C o m o rosto baixo. E indicava ainda o mulungu. E Soledade l e m b r a v a o beija-flor que nidifica. A fervura do sangue queimava-lhe a c a r a.. E ele esforçava-se por persuadi-la da consciência do lar. Toda borrifada de sangue fresco. U m a tardinha. Ela encolhia-se. E nem lhe conto: morreu Beiju enforcado. Pirunga tomou o v e r b o no sentido brasileiro e apresentou-lhe o peito forte: — A b o t o e! Os maiorais da terra. Continuou: — Carlota chegou aqui na tira.

G r a v e e contrafeito A política virou. Trajano C h a - con. E teria investido. Basta- va ser espingarda do chefe. Ele seguiu-a. Soledade fingia melin- dres: — É: você m e r e c e um castigo. E ele baixou-se e p a s s o u a examinar o c o r p o cilíndrico da anfisbe- na. E ela. Idealizava-a numa figura de r o m a n c e. Afígurava-se-lhe que naquele grosseiro mister ela estivesse abrindo a vala dos futuros sacrifícios. E dizer que foi a própria luz da inteligên- cia que me cegou!.

Procurou escusar-se do seu ousio. T o m a n d o esse desplante em conta de brincadeira. Visões e x a g e r a d a s defor- mavam-lhe o equilíbrio d a s relações imediatas.

A mediania do s e n h o r rural e a ralé fa- minta. E exibiu-lhe — logo q u ê? Ele calculava c o m o essa vitalidade poderia ser produtiva. Reconciliava-se c o m a terra feracíssima. N o ç õ e s confusas.

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E ela encalistrou: — Brejeiro! C o m o risco de se malquistar com o pai. O s pobres g o z o s herbívoros! Era o sócio da fome. O jardim nativo balsamizava essa porcaria. A natureza caridosa p r o c u r a v a encobrir e s s a miséria. E n t r a v a m nas bibocas de gravata.

O s cochicholos s e c o s. Só pelo g o s t o de se levantar e gritar da porta: — Ca. Soledade saía. A c a n z o a d a magérrima juntava-se no faro do cio e.

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E o vento vinha varrer o terreiro. E r a m mais alegres que os colegiais afortunados. Colhiam os frutos silvestres que a mata lhes d a v a da- d o s. Divertiam-se p e g a n d o gafanhotos e lagartixas. C o m o um lagarto preguiçoso. Se fosse coisa q u e se tivesse t e m p o. Nada tinham de seu: só possuíam. Passavam fitas naturais nas a u r o r a s e nos ocasos miraculosos. Deus te livre!. Viver assim era. O que adianta a gente se m a t a r? Era o mais afrontoso dos e p í t e t o s..

Dagoberto tinha a experiência desse regime de privações c r ô n i c a s : — Pobre de barriga cheia. Mas na guerra improvisavam-se heróis.. E olhavam para cima e viam todo o céu de uma vez. N e n h u m agenciava melhor sorte. Chegou aqui chorando miséria.

A todas as o u t r a s perguntas.. E separavam-se, c h i a n d o : Qui qui-quiqui U n s procuravam os porretes. Outros protestavam: E s s e fregus dizendo d a m a! D a m a mulher da vida D a m a mulher -toa Latomia, por trs dos outros: Sertanejo b o c n o v o g a a q u i! Sertanejo cafifa! Pirunga n o fazia c a s o. O feitor aplaudia: I s t o , Pirunga! E, p a r t e : Mal-empregado! Os cambiteiros desforravam-se, puridade: A r r a s t o u a mala E l a n o d a n a c o m bangalafumenga daqui.

O p a t r o d gs quele mequetrefe E as mulheres voltavam-se c o n t r a Soledade: A n d a c o m parte de santa, m a s o que ela u m a s o n s a de marca maior. U m a tipa muito entojada!

Por ser sarar trata os mais de resto. A, negrada! Eita pau!

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Era um c m u l o de gentileza U m a bicada. O feitor diligenciava e m b r i a g a r Pirunga. Hoje aqui fede a chifre de b o d e. Eu s dou conta d e s t a pinia. A c a b o com esta futrica. A c a c h a a ia pegando fogo sensualidade mestia. M a s , ali no se brigava por mulher: o amor no valia u m a facada. E a poltica ad- versa despicava-se em seus m o r a d o r e s. Os correligionrios do poder m a n t i n h a m redutos de i m p u n i d a d e inviolvel; m a s os oposicionistas tinham s e u s domnios e x p o s t o s s represlias policiais.

A cabroeira recuou. E Pirunga cresceu para a fora arbitrria: Q u e isso, p r a a? O sertanejo fazia frente a t o d a a tropa na confuso do conflito c o r p o a c o r p o. Seu olhar fuzilava na treva c o m o um sabre d e s e m b a i - nhado.

O espaldeiramento e r a um som de garrafas q u e b r a d a s. Sapeca o p a u! Sujiga a praa! F u r a na veia da tripa! F u r a na tripa gaiteira! D a g o b e r t o sobressaltou-se, d a cama: Q u e barulho u m? S no havia a t a q u e histrico. Distinguia no a r r u d o lamentos e pragas; m a s no reconhecia a v o z de Soledade, abafada pelo berreiro d e s c o n e x o. E gritava por ela, c o m o um doido. Do lado de fora, ouvia a m e s m a algazarra indistinta. A barafunda alarmante.

A q u e i m a d a estava circunscrita ao aceiro, c o m o um colar de rubis. A paisagem vizinha toda t o s t a d a e vermelha. A i n d a v o a v a m algumas fagulhas misturadas c o m os vaga-lumes. De veneta, correu at a coivara e trouxe um facho na mo c o m o p a r a alumiar. E chegou-o ao c o l m o velho. E, c h a m u s c a d o , triunfal, no desfecho esplndido, r e - fugiu, c o m seu fardo s u a v s s i m o , pela noite discreta.

M a s , logo, ela soltou-se revoltada: E precisava isto? E n t o , eu no sabia sair do fogo? F e z sangue? N o o conheciam por n e n h u m a manifestao tutelar. E explicavam: Chegou e foi m e t e n d o o fandango. Passou o refe em t u d o. E c o m a camisa esfaqueada. T o d o s riram, at os feridos, porque ele nunca tivera u m a camisa inteira.

Queria era pegar de jeito. Mas a fora abriu do c h a m b r e , ganhou os paus. Acudiu o feitor: Foi pantim, p a t r o. O fogo foi uma fasca da coivara. Foi nada no. E c o m o estivesse tiritando. Dagoberto argiu: Que isso! Frio pra mim c o m o passou. Se no mentiam as ms-lnguas. Pirunga soprava ainda, c o m o se estivesse expelindo os m a u s ins- tintos. Lcio desabafou: N o era pra m e n o s. Eu bem sabia que aquilo a c a b a v a pegando fogo E foi ver Soledade que estava queimada O amor uma g r a d a o dos sentidos: c o m e a pela necessidade de ver.

Primeiro, um c a s a l somen- t e. Pegavam a rir. N o est ningum E apontando o cachorro: Pegali t a m b m e s t. Ela comps-se com um ar engraado. E, no interesse de examinar-lhe melhor a e x p r e s s o fisionmica, ele insistiu: F a a srio! V o c quer cara feia, n o? E fez um trejeito que n e m de leve lhe deformou a graa primorosa M a s , logo, endireitou-se, c o m faceirice, p a s s a n d o a m o no r o s t o e na cabea.

M a s , n o sabia p o r q u e , achava-lhe um sainete n o v o na feminilidade indefinvel. L c i o continuava a simular q u e pintava. E l a desconfiou: Quem? M a s eu no tenho esta venta De fato, seu nariz e r a diferente, c o m um ar inconfundvel no li- geiro a r r e b i t o. E r a o tipo modelar de u m a r a a selecionada, s e m m e s c l a , na mais sadia consanginidade.

Sabia q u e a fotografia n o e r a sua e alvoroou-a a curiosidade a nica forma d e impacincia d a mulher, esse apetite d o d e s c o n h e c i d o que constitui, as mais das v e z e s , o mvel de sua perdio a curiosi-.

Afinal, no se c o n t e v e q u e no avanasse c o m o propsito feito de tom-lo. Segurando-a pelos b r a o s , e m a r c o , e m p r e g a v a esforos para mant-la distncia. Depois, rompeu o retrato. N o faa isso! Avistou Pirunga e n c o s t a d o num pau, de alcatia. Foi-se a ele. Depois, levando-lhe a m o ao o m b r o : N o deixes q u e ela caia na unha de um d e s s e s cafajestes.

O rapaz c o b r o u confiana e despejou a alma: Soledade n o q u e r b e m a ningum. Lcio procurou a p l a c a r e s s e cime indomvel, m a s Pirunga soltou queima-roupa: At o senhor e s t a c e i r a n d o. N o , senhor! Eu n o maldo, no senhor! O estudante distinguia-lhe um trao de a m a r g u r a , que nem na odissia da seca. C o m o v e u - s e diante desse zelo selvagem e falou-lhe de molde a dissuadi-lo: N o por n a d a. A moagem parada. Queria ver se no puxava. Era para amansar E chegavam-lhe a i n d a o ferro p a r a ir a ferro e fogo.

E r a a sorte d o s bois sertanejos na bagaceira Q u e m no cantava, assobiava. A m o a g e m ia, p o r assim dizer, de meia-noite a meia-noite. N o a ajuda? Entravam os muares gemendo, ao compasso da andadura: hum! Q u a n d o tocou o b z i o , Soledade passou-se bagaceira. Rezingavam n u n s violentos apelos nosologia popular: Molestado! M a s o fregus tinha n pelas cos- tas, e r a cheio de n o v e s fora.

A, dei de garra do quiri. Agentou a primeira pilorada lep! E veio feito em riba de mim. V c o - mer terra! E confidenciavam: Eu arrenego da b o n d a d e deste calcanhar-de-juda. N o disfarava e s s a ojeriza. E n t r o u n a casa-grande pela primeira v e z. E , intencionalmente: bonita: d p a r e c e n a c o m ela Encontrou Lcio.

Afinal, largou a p r e s a , levantou a perna e fez a sua necessidade em c i m a dela. Soledade queria, p o r fora, c o n h e c e r Areia. Valentim diligenciava despersuadi-la: Que ia empalh-lo. E s p e - rasse pela desobriga Ela instava: T o pertinho! E foi, afinal, j u n t a c o m o pai, num dia de feira. Da c h ela enxergou a gameleira imemorial, c o m o o cu verde da cidade.

E, atreita a o s longos plainos nativos, s v r z e a s intrminas, co- m e o u a sentir a curiosidade d a s alturas. E, logo, fazendo negaas, sumia-se, parecia ter descambado no abismo. Resplandecia c o m a cal do casario b r a n c o d o u r a d o pelo sol montanhs. Toda ensoalheirada. Alteava-se e m desfila- d e i r o s. O horizonte trancava-se de um lado quase rente c o m os telhados e r e c u a v a , do outro lado, at a infinita perspectiva. A feira de c o c o s e r a um tintim por tintim Acho que morreu Tambm acho N o dizer q u e pedido de r d e a : cavalo liberal.

R o n c a o palheiro. C a - valo fouveiro deixa o d o n o no terreiro. E iam logo d e s f a z e n d o no bucfalo: Cavalo melado mela o dono e o encerado P a r e c e quartau de fiana U m fecha-fecha! A feira desarticulava-se. Barafustava-se na i n c e r t e z a do rebulio. O l a d r o escapara-se pela ladeira do Quebra. E, volvendo-se, na carreira: Eu j volto j-j!

T o m e sentido nela! L o u e bem-feita, sentia-se bela pelos olhos de t a n t a g e n t e. E encolhia-se na o n d a d o s feirantes. Deu-lhe d a d a. L c i o ofereceu-lhe a g a r u p a do seu alazo p a r a conduzi-la casa. Um bbedo, com as mos abanando: Hoje galo canta a n t e s do dia a m a n h e c e r.

E L c i o ficava srio. E simulava inquietar-se: Se papai no der p o r m i m. Q u e r i a voltar, c o m a i n t e n o de rever a cidade ou de prolongar esse contato. Lcio retrocedeu constrangido. E ela alterou-se: L e s o! E s t no seu direito!

Pirunga, interpelado, explicou: F o i p o r q u e e u m a l d e i. P o r e s s e eu b o t o a m o ho fogo tranqilizou-o Valentim. E, n o logrando condicionar-se vida sozinha, fugia ao tdio ca- seiro, v a g u e a n d o p o r vales e g r o t e s , c o m u m a vivacidade de p a s s a - rinho indomstico. S o r v i a o ar, farejando-lhe o almscar virginal. S oio o falao O stio arreava-se de festes i n c o m u n s.

A florescncia incitativa requintava em milagres de a r o m a e de cor. E vedar-lhe a nica r e c r e a o compatvel c o m o seu gnio irrequieto, priv-la dessa existncia livre, enclausur-la na sujeio domstica seria subtrair-lhe t o d o o s a b o r da serra privilegiada. Milonga p e g o u - o s , de u m a feita, nesse colquio ao ar livre: Benza-a D e u s! E espiou para cima: M a s , isso srio!

N a d a : e r a u m cupim indiferente. P i r u n g a tinha-os de olho. Punha-se de guarda, dissimulando-se nas r v o r e s mais folhudas ou a l a p a r d a n d o - s e nas moitas de c a m a r. N o que ele fosse catingoso.

Efebo sadio, se tinha algum pituim, era o b o - d u m d o chiqueiro. Vinha-lhe o apelido de um episdio da infncia. Ele nem se d a v a disso. Q u e gentil e m i m o s o animalzinho! T u d o se impregnou do mau odor. E, depois de muitas esfregaes, ficou s e n d o T i c a c a.

E s s a vigilncia e r a u m incitamento. Flores singelas salpicavam a alfombra n u m a policromia profusa, c o m o se o ltimo arco-ris se tivesse d e s m a n c h a d o , aos pingos, na v e r d u r a a s s o - berbante. Havia pa- nos sujos de almas. E d a v a m trela: Ainda estou por ver u m a m o a mais foguete!

N o vale mais u m dez-ris-de-mel-coado N o v logo! Bonita, n a d a! Soledade percebeu e s s a linguarice excitante. Coibiu o primeiro a s s o m o. E perguntava-se, c o m u m a ingnua cu- riosidade, p o r q u e essa a t o a r d a e r a inverdica.

E r a um chilrear sem fim n o s moitedos frementes. Emendou, com um entono engraado:. Ainda, a sorrir, c o m u m a sombra de desdm no arrebito do nariz: Eu sou to fe-e-ei-a!

Lcio retrucou, m a q u i n a l m e n t e mulher basta ser bela E, ao cabo, consolando-a: N o , Soledade, m e s m o com a seca. Em seguida, o estudante pegou-lhe as mos que, sem anis, eram mais ostensivas na sua beleza. Ela provocou outra confisso: E s t fazendo p o u c o em mim Soledade enfastiava-se d e s s a e x p r e s s o de inteligncia e de des- gosto.

Lcio aconcheou a destra, colheu a gua e deu-lha a beber. Ela sorveu-a, aos estalidos, c o m os olhos verdes revirados e ficou chu- c h u r r e a n d o os beios na palma da m o t r e m e n t e. Depois de desse- dentada, comia-a de beijos. E ele, todo e s c a r l a t e , contraa os d e d o s e machucava-lhe a boca sfrega. Soledade a g a s t o u - s e , enfiada: Brejeiro! N o nega q u e brejeiro Voltaram contrafeitos e calados L c i o c o m a idia fixa da honra sertaneja e S o l e d a d e c o m o que repesa da efuso leviana.

Ao separarem-se ela desculpou-se: Foi s brincadeira; p a r a ver o que voc fazia E ele, sem r e s p o n d e r , aspirou, longamente, a m o beijada; m a s. Mostrou-lhe a barra do vestido: Voc est livre, m a s olhe saia c o m o pega c a r r a p i c h o. Nesse caso, eu no posso ser sua irm E afastou-se, c o m o de vez. E feriu-se na m o. Voltou c o m uma graa careteira e o d e d o a sangrar. Lcio penalizou-se: N o tem n a d a : passa j.

E ela deu-lhe o pingo de sangue a chupar at e s t a n c a r. Tinha na b o c a um ricto caricato e os olhos glaucos riam disfara- damente. O xexu pontual grazinou uma pilhria.

Soledade gracejou: Voc chupou c o m tanta fora que o c o r a o ia saindo E, com uma ironia pronta: Agora, voc tem m e u sangue nas suas veias; agora, sim. Eu j o tinha. Vibravam, toa, o u t r a s vozes galhofeiras. E vivaz, c o m o se tivesse asas em t o d o s os sentidos, ela entrou em alegrias repentinas, nas repreensveis t r a v e s s u r a s de sua natureza in- dcil.

A palpitao d a s narinas dava-lhe um ar mais p i c a n t e. Os passarinhos c a n t a d o r e s respondiam a e s s e riso de verda- de! Nisto, surdiu o feitor. Esfregou a m o na axila e tirou a caixa de maribondos, t o d o s q u i e t o s , inofensivos, c o m o a b e l h a s brasileiras. S via em Soledade a solteirinha intata, de u m a graa t o menineira, q u e , s v e z e s , tinha g a n a s de tom-la ao c o l o.

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A semelhana e v o c a t i v a amortecia-lhe os a p e t i t e s indiscretos que a n a t u r e z a velhaca lhe destilava no sangue tropical. E n t o , voltou-se p a r a L c i o , esquecendo-lhe o n o m e : Esse menino, voc t o capiongo: nem abre o bico.

U m ventozinho madrigalesco mexia-lhe a s m a d e i x a s c u r t a s , ora alargando-lhe a t e s t a , o r a cobrindo-lhe os o l h o s. O sol crescia e se e n c h i a de luz pra ver melhor. Enjoava-se d e s s a s fantasias. Encalmava-se o dia. O dossel de maracuj c o m flores e fru- tos. Soledade c h a m o u : Quer entrar naquele sombrio? Ela levou-o pela m o. Era um leito macio e natural no folhio a m o n t o a d o.

V e n d o o tlamo floral. Ocorria-lhe um p u d o r de ltima hora, pelo sim, pelo n o. Lcio ficou dentro, amuado: Bom! Ela foi sentar-se no cajueiro da alameda, o de galhos desiguais. Pirunga passou e deu-lhe uns favos de e n x u , trazido da mata. Afogueava-se a poesia do v e r o.

Um bruto meio-dia. As cigarras aplaudiam a fulgurao triunfal. Rechinou um grito, a e s m o. E pegou o desafio sonoroso. Q u e m duvidar s ir ver na serra. As macabas prediletas tinham cigarras c o m o e s p i n h o s. Parecia q u e o znite radioso apitava em cada raio sol. Na g r a n d e luz passou-lhe uma nuvem pelos olhos. E ele, sem dar p o r isso, de olhos fechados, puxou-a a si, passou-lhe a m o pelo pes- c o o e, apanhando-lhe o queixo entre os d e d o s , ficou a afag-lo, es- q u e c i d a m e n t e.

D e p o i s , principiou a franzir os lbios, formando um bico suspeito Conhecendo-lhe a inteno, ela torceu a c a r a , c o m m e d o de algum beijo de surpresa. E esperou-lhe a b o c a ansiosa com o favo de e n x u. Q u e sabor dulcssimo! E, descobrindo a traa: Sabe q u e m a i s?

C o m o rosto baixo, fitava nele os olhos revirados. Fiava-se nos t- xicos d e s s e olhar. P e r p e t r a v a leviandades gra- ciosas que no induziam a m e n o r malcia, m a s e r a m de molde a susci- tar desconfianas. N o parecia gua morta; no tinha a corriqueira insensi- bilidade de e s p e l h o , c o m fundo de lama. E ele esforava-se por persuadi-la da conscincia do lar. Ela redargia: Eu no vou nisso.

E indicava ainda o mulungu. Na v e r d a d e , toda a rvore sangrava. Toda borrifada de sangue fresco, n u m a palpitao de carne viva. E Soledade l e m b r a v a o beija-flor que nidifica, de preferncia, nos ps de urtiga. A gente no pega, n o v E, levando a m o ao peito Sentia-lhe na p e n u g e m da nuca um cheiro extraordinrio de bogari machucado. Ela encolhia-se, a o s t o q u e s casuais: Olhe, direitinho! Isto q u e! A fervura do sangue queimava-lhe a c a r a.

Pirunga tomou o v e r b o no sentido brasileiro e apresentou-lhe o peito forte: A b o t o e!

Dagoberto c h a m o u L c i o parte e aferrolhou-se com ele. Enfim, tatibita- t e , referiu-lhe u m a t r a d i o local: Voc c o n h e c e a histria de Carlota? Era uma mulher do serto do Paje.

E, tendenciosamente: E n t o , se b o n i t a. Basta- va ser espingarda do chefe, um homem de p o d e r e dinheiro que man- d a v a e m toda esta r e d o n d e z a.

E, u s a n d o de u m a familiaridade a que L c i o e s t a v a desafeito: M a s , meu filho, a mulher parecia que tinha trazido t o d o o can- g a o do serto e o fogaru da seca debaixo da saia. Trajano C h a - con.

A poltica virou. E nem lhe conto: morreu Beiju enforcado; foi gente pra F e r n a n d o. Os maiorais da terra E , n u m desalento patritico: Areia n u n c a mais se levantou! L c i o explodiu:. Sim, devia ser muito bonita! No a encontrou. Deu c o m ela, afinal, na mais grotesca atitude feminina, de c c o - ras, abrindo sulcos n u m leiro do c o e n t r o.

Quedou-se a fit-la, em silncio, c o m os o l h o s gulosos, c o m o se nunca a tivesse visto. Idealizava-a numa figura de r o m a n c e. Afgurava-se-lhe que naquele grosseiro mister ela estivesse abrindo a vala dos futuros sacrifcios, dos holocaustos sua beleza fatdica. Liga-me aos teus m a u s angrios! E ele baixou-se e p a s s o u a examinar o c o r p o cilndrico da anfisbe- na, sem distinguir-lhe os olhos minsculos: D u a s c a b e a s e cega!

E dizer que foi a prpria luz da intelign- cia que me cegou! Procurou escusar-se do seu ousio. M a s , Soledade fingia melin- dres: : voc m e r e c e um castigo Lcio pegou-a: Diga qual o m e u castigo. Veja s!!! T o m a n d o esse desplante em conta de brincadeira. E ela encalistrou: Brejeiro! N o nega que brejeiro Lcio no se dissociava do problema h u m a n o do Marzago. Sua n o v a sensibilidade tinha uma direo mais til e um mpeto criador. Reconciliava-se c o m a terra feracssima, isenta de t o d o s os obst- culos do t r a b a l h o : de n u v e n s de gafanhotos, tufes, g e a d a s , s e c a s , terremotos Ele calculava c o m o essa vitalidade poderia ser produtiva.

E via a ndole de progresso do latifndio c o a r t a d a pelos vcios de seu apro- veitamento. A mediania do s e n h o r rural e a ral fa- minta. Tinha a intuio d o s reformadores; t e n t a v a assimilar os melhores estmulos da luta pela vida.

Mas seu instinto de a o ainda era inutili- z a d o pelas sentimentalidades emolientes. Vises e x a g e r a d a s defor- mavam-lhe o equilbrio d a s relaes imediatas. N o e s confusas, pro- j e t o s imprecisos resultavam na incapacidade de realizar, no desastre d a s tentativas.

C o m o risco de se malquistar com o pai. Pleiteava uma aplicao mais vantajosa d e s s a s foras m a l b a r a t a d a s. N o se pode dar um tipo mais lel. E n t r a v a m nas bibocas de gravata. Soledade saa, a o s e n g u l h o s , desse hlito de pocilga. O r a , lana at as tripas A natureza caridosa p r o c u r a v a encobrir e s s a misria. A jitirana encostava-se na baica infeta. O jardim nativo balsamizava essa porcaria.

E o vento vinha varrer o terreiro. Era o scio da fome. O s pobres g o z o s herbvoros! S pelo g o s t o de se levantar e gritar da porta: Ca Desse m o d o , d e s c o n t a v a o servilismo irremissvel. Os meninos nus e r a m criados pelo sol enfermeiro. Divertiam-se p e g a n d o gafanhotos e lagartixas, m a t a n d o os bichi- nhos do m a t o divertiam-se, c o m o podiam, c o m e s s a s m a l d a d e s inocentes.

Colhiam os frutos silvestres que a mata lhes d a v a da- d o s. E r a m mais alegres que os colegiais afortunados. Lcio o b s e r v a v a e s s a alegria, lamuriando: N o h n a d a mais triste do que u m a criana triste J o o T r o u l h o cedia ociosidade dominical. C o m o um lagarto preguioso.

O sistema de s u p r e s s o da personalidade eliminava t o d o o p o d e r de iniciativa. Deitados, s e m e l h a v a m torres da terra preta. Era o mais afrontoso dos e p t e t o s. S havia d u a s infelicidades para essa c o n d i o indizvel: as bexi- gas e o servio militar. Mas na guerra improvisavam-se heris. Qual o seu maior desejo. Come com a testa Dagoberto tinha a experincia desse regime de privaes c r n i c a s : Pobre de barriga cheia.

Deus te livre! Era uma penria ostensiva que no se e n v e r g o n h a v a nem se car- pia. Mas no tinham idia de nada melhor. E olhavam para cima e viam todo o cu de uma vez.

Passavam fitas naturais nas a u r o r a s e nos ocasos miraculosos. Havia msica de graa nos coretos do a r v o r e d o. Perfume de graa em cada florao.

E o sol fazia-lhes visitas mdicas e n t r a n d o pelos rasges d o s tug- rios.

Afinal, valia a pena viver, porque ningum se matava. N o se tem fuga, patrozinho: no eito t o d o o dia que D e u s d. Se fosse coisa q u e se tivesse t e m p o , m a s no rojo de inverno a vero. E a gente no tem ganncia. O que adianta a gente se m a t a r? O patro toca da terra, sem se fa-.

A m a n h e c e aqui, anoitece acol. Tem a justia. A gente de fazer isso! Por que no endireita a casa. Q u a n d o bota pra fora e a gente no ar- riba logo, quer, no fim de conta, tocar fogo e E faz isso? De toda viagem. Por que no cria galinha? Pra raposa passar no papo? Qual a parte que cabe ao lavrador? Era o h o m e m que no sabia nada o instrumento inconsciente que tinha a e n x a d a c o m o o m e m b r o principal.

Depois, passou a a p r o v a r tudo c o m o estribilho de uma inflexo peculiar: An, b o m! E ainda afirmava: N o deixa de no ser N e n h u m agenciava melhor sorte. Na rea da fartura, na gleba munificente, propcia a todas as culturas, essa gente vegetativa, de uma passividade fatalista, afeita lida de sol a sol, no plantava u m a rama de batata beira do r a n c h o. Lcio indicava o e x e m p l o do sertanejo: No r o a d o dele no canta cambonje.

Chegou aqui chorando misria; chegou a p i t a n d o , com uma mo na frente, outra a t r s , mas se no b r o m a r. As borboletas brincavam com elas: d a v a m - l h e s pancadinhas nas faces, c o m o quem bate c o m um leque madrigalesce. E n c h i a m as panas, j que no podiam encher os estmagos. Os apetites c o m q u e a natureza capciosa e n c a d e a v a as geraes de- serdadas e r a m u m a srie de sacrifcios irresistveis.

Fbrica de anjos. A fecun- didade frustrada pela misria e pela m o r b i d e z geral. Se algum vaga-lume errtico se s e n t a v a em seus c a b e l o s , parecia uma jia furtada. Na casa de farinha as raspadeiras c o m saias c o r de e s t o p a c o n s - purcavam a mandioca descascada. N o veio, c a b r a s d e u m a anatomia herclea suavam c o m o olhos- d'gua. A tarefa prorrogava-se pela noite.

Soledade d e r a para esquivar-se de L c i o. Cabra que a gente enchiqueira: Chi- queiro, c a b r a! O estudante ficou-se q u e b r a n d o os galhos da guabiraba a que se encostara. Agora, se voc e s t aborrecida, o u t r a coisa. Pois b e m : foi o major que j u r o u b o t a r papai pra fora, se a gente ainda viver Viver o q u? Viver, c o m o l diz, feito a linha atrs da agulha E , alheada: Voc nem alinhavar quer. E continuou a dissimular-se nos mil m e a n d r o s do stio.

Lcio a n d a v a , c o m o faro guloso, de latada em latada, rebus- cando-a, c o m o q u e m p r o c u r a a felicidade perdida. At q u e , um dia, saiu com Pegali.

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O c a c h o r r o afundou-se no capoeiro. Ele disfarou-se e e s p e r o u que Soledade sasse. E n t o , foi ver o seu esconderijo o dossel amplo e e s c u s o , c o m o um ninho proibido. E papelitos fechados c o m o para tirar sor- t e : o moo, o velho, o carrapato. M a s sentiu a impregnao dela nas flores inodoras da trepadeira. C o r r e u e perguntou quase sem flego: Soledade, q u e m velho? J sei C o m e o u a picar folhas e confessou c o m imperturbvel naturali- dade: Voc viu?

Pois fique sabendo: o moo, n o digo; o velho seu pai; o carrapato Pjrunga E r a s o que faltava T e m muita coragem pra i s s o. R e m a t o u , pegando-lhe na outra orelha, c o m um mimoso fingimen- to: O l h e , L u : preciso que nos vejamos m e n o s pra no nos dei- xarmos de ver A a l m a fundida pelo sol da seca, afogueada pelas scuas do v e r o , andava farta de t a n t a solicitude ociosa, de um a m o r entretido de olhadelas e c o n v e r s a s fiadas que se d a v a por satisfeito c o m e s s a s ati- tudes de c o r a o.

Uma derrota! Prosseguiu na sua faina, at q u e , p a s s a d o s alguns mi- nutos, se voltou c o m o olhar indiferente. Furou-se a t a c h a na segunda meladura O caldeirote de a p u r a r? E a caldeira de lim- par est p i n g a n d o , vai-no-vai Dagoberto arrepelou-se num esgar e abalou para a casa de caldei- ra. O parol cheio. O picadeiro atulhado. C a n a a secar no partido. L c i o tentou confort-lo, c o m u m a e m o o pernstica: Meu pai, isto uma natureza privilegiada e c o m p e n s a d o r a.

M a s j estou aquilotado. Estava preto. Est bonito A t o r v a fisionomia da estao. Vinha vindo o barulho pluvial as b t e g a s caindo no folhedo.

Dir-se-ia a ruptura do cu num despejo fragoroso. E r a m noites infinitas, dias c o m o noites. A gua, t o b o a p a r a purificar, lameirava o stio. T u d o se fundia em lama. Mananciais a o s gorgolhes, c o m o v m i t o s incoercveis. O que mais a amofinava era no poder vaguear pelos lbricos lama- r e n t o s. Lcio levava-a pela m o. E u m a p a n c a d a d ' g u a tapetava o lameiral de ptalas multicores.

S a gente no cria. Pra voar pra muito longe A saparia c o m e a v a a toada de sete flegos. D e p o i s , c o n c e r t a v a - s e toda a variedade instru- mental carrilhes, castanholas,. As a r a q u s matinais algazarreavam festejando o mau t e m p o. L c i o virou um imbu. Mal se distinguia o que corria do cu: se e r a m fios d ' g u a ou raios de luz; se a claridade lquida ou a ga- roa d o u r a d a. Soledade achegou-se: U m a histria, L c i o. U m a chuvinha m i d a , conta-gota, antiptica, c o m o toda impertinncia pequenina.

O xixi intolervel. Acudiu t o d a a p o p u l a o rural ao ptio da casa-grande, d e b a i x o do aguaceiro, c o n v o c a d a pelo bzio imperativo.

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A gua prisioneira saltava pela b a r r a g e m e batia nas p e d r a s c o m um berro doloroso. Est limpando. Levantou o tempo. As plantas ficavam a r r e p i a d a s , imitando as a v e s , sacudindo a gua de sobre si. A luz do relmpago molhava-se n a s c o r d a s d'gua. E n e s s a mobilidade tinha t o d o o seu enleio natural. L c i o intentava aquec-lo c o m as c a l e n t u r a s da paixo recrescen- te.

E sobrevinham-lhe as d v i d a s. Se n o re- lutasse, subiria pelo b r a o ; e, se g o s t a s s e , na testa, um na testa; e, se anusse, n o s o l h o s sim, fechar-lhe-ia os olhos c o m muitos beijos, para, e n t o , de s u r p r e s a , beij-la, b e m beijada, na boca. Um beijo que lhe deixasse u m a cicatriz n ' a l m a.

Queria sorver-lhe o a r o m a car- nal q u e se b e b e em beijos. Que cruviana! N o frio: calor! E n t o , maleita? Os outros moradores observavam: Vive de orelha em p ; a n d a de v e n t a inchada A dvida e r a um insondvel sofrimento. Diligenciava sopes-la; fazia t u d o p a r a refugar a suspeita corrosiva que lhe a t u a v a a t no s o n o em s o n h o s in- trigantes. Mas a idia t e i m o s a fermentava. E r a um ri-ri diuturno. Ele sondava Pirunga p o r palavras t r a v e s s a s.

Referiu-lhe u m a circunstncia q u a l q u e r. Valentim n o a largava de si. E Valentim e s p r e i t a v a tresnoitado. Reprimia, a c u s t o , a rebentina. Botou-se a ela, n u m esgar- ro de raiva. E d e u com o p no b a de lata, revirando-o. Valentim tossiu. Pacificava a h o n r a sertaneja.

Voc est inventando! E, procurando-a entre outros objetos dispersos: M a s foi m e s m o q u e n a d a! A casa j estava rodeada de moradores: Joo Troulho, Latomia, a mulher do feitor O sertanejo e s t a c o u t o m a d o de supersticiosa curiosidade.

E n t o , Pirunga, q u e o encalava, gritou: Padrinho! O vaqueiro! Desci e. E est acabado M a s Valentim insistiu: V o c no viu a fazenda? E o audeco? Ficou cheio-cheio! Imagi- nou o rio escapando-se no a r r e m e s s o transitrio. A v i v e n t a v a a nostalgia incurvel, o mal de u m a instabilidade q u e no condizia c o m a vida sedentria de seu natural.

Pirunga levou o indicador a o s lbios, pedindo silncio. A t a r d e languescia. Vinha-se a noite fechando.

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E, despeitado: J lhe t o m o u o flego. E r a a afinao da noite. I n s t a d o , Pirunga improvisou:. N o se v um olho-d'gua, Quando h seca no serto. A noite s e m fala parecia e n g a s g a d a pelas sombras espessas. Valentim n o pregava o l h o s. O galo da casa-grande a m i u d o u. C h o c a v a m - s e os dois s e n t i m e n t o s fundamentais do sertanejo dignidade da famlia e o apego gleba. A nostalgia quebrantava-lhe o pen- s a m e n t o d e vingana. Afas- t a v a de si q u a l q u e r incidente q u e p u d e s s e embaraar-lhe o regresso premeditado ao serto.

E saiu a i n d a a procur-lo. E u m a idia fixa na mira. Um vem-vem provocativo comeou a cantar. L e v o u a garrucha cara. Mulheres assustadias arrepiavam caminho, lanando no cho os p o t e s d ' g u a e as t r o u x a s de r o u p a. O mulherio grunhia a t r s. Pirunga varou a o n d a hostil q u e lhe franqueou p a s s a g e m e foi p o s - tar-se ao lado de Valentim: Mas, padrinho! E s t r a n h o u ainda: Mas, padrinho! Dagoberto mudou de tom: Velho, voc est doido?

O senhor garante? E, arroxeando-se, coberto de suor, calcando um sentimento feroz de dignidade patriarcal, ele c o n t i n u o u , t a r t a m u d o : Eu n o sei q u a n d o me livro.